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Domingo, 28.01.18

Assassin's Creed Origins: Ubisoft, you're doing it right.

Demorei 134 horas, 36 minutos e 20 segundos a completar a 100% o Assassin's Creed Origins, ganhando o agradável troféu "Tudo Meu". Mas podiam ter sido facilmente mais umas 5 ou 10 horas, pois muitas vezes dava por mim a deixar-me galopar ao acaso olhando o mundo lá de cima, através dos olhos de Senu*. Confesso que estava céptico quanto ao décimo Assassin's Creed e o seu regresso ao passado, a um passado anterior aos próprios Assassinos e que descobrimos no jogo ser o mundo dos Ocultos (The Hidden Ones), os predecessores dos Assassinos. Ora, eu estava errado. Não que o Origins não pudesse ter corrido mal. Podia. O risco era grande. Mas a Ubisoft esteve à altura e conseguiu assim ganhar mil anos de potenciais sequelas para a série Assassin's Creed. 

 

O que primeiro impressiona é a qualidade dos gráficos e a amplitude do mundo que podemos percorrer (e isto ainda sem as duas expansões já anunciadas, uma delas já disponível há alguns dias). Assassin's Creed Origins começa por ser um jogo belíssimo e convidativo. A possibilidade de poder sair de Cyrene a cavalo ao cair do dia e cavalgar até ao oásis de Siwa, alternando entre a visão da estrada romana sob os cascos do nosso fiel alazão (ou do nosso fiel camelo) e a visão das montanhas verdes vistas do alto, pelo olhos da fiel águia de Bayek, eis um prazer relaxante. É verdade que de vez em quando há o ocasional bando de malfeitores que nos tenta emboscar na estrada, mas a partir de um certo nível, eles deixam de ser uma preocupação e passam até a ser uma diversão. 

 

O segundo aspecto que impressiona são as side quests. São muitíssimas, muito interessantes, e tornam o jogo muito mais do que a história principal, que sendo interessante fica assim muito mais rica. A Ubisoft mantém o bom equilíbrio entre ficção e realidade histórica, o que para os interessados no período é uma delícia. Desde Christian Jacq que não me interessava tanto pelo antigo Egipto e ainda aprendi umas coisas sobre a presença romana na atual Líbia, a velha Cyrenaica, e sobre a grega dinastia ptolomaica.

 

A terceira coisa que me impressionou foi o novo sistema de combate e de mellhoria de atributos e equipamentos de Bayek. A combinação de ambos faz do combate em Assassin's Creed um arte cheia de estratégia e tática (eu sei porque morri diversas vezes a tentar perceber qual a melhor combinação para derrotar deuses e elefantes). O controlo do nosso protagonista é agora mais amplo, mais natural e a diversidade de armas reflete as suas efetivas capacidades, com vantagens e desvantagens. Além disso a ordenação dos equipamentos em comuns, raros e lendários traz um desafio extra (passei muitos minutos à procura da melhor arma lendária de entre as várias que tinha, para cada missão difícil).

 

Depois há o modo Pesadelo (Nightmare Mode), em que o jogo se revela bastante mais difícil do que o normal e por isso muito mais interessante. Além da faculdade auto-nivelamento (auto-level) dos inimigos, em que os inimigos mais fracos do que nós ficam automaticamente com o nosso nível.

 

No que toca à História e história, o regresso ao início dos Assassinos, ainda antes de eles existirem, traz dois aspectos interessantes. Em primeiro lugar faz perceber que o grande confronto entre Assassinos e Templários é na verdade uma luta de arquétipos filosóficos e reproduz-se também na luta entre a Ordem e os Ocultos em Assassin's Creed Origins. Há aqui, para utilizar uma dicotomia moderna, algo de Locke versus Hobbes, que é muito interessante, pois não é a típica e simplista luta do bem contra o mal mas uma verdadeira batalha pelo triunfo de uma visão política. Os Assassinos mais lockeanos e os Templários mais hobbesianos. E que melhor momento histórico do que o fim da era ptolomaica e o fim da República romana com o início do Império. Até temos direito a testemunhar os Idos de Março. Além disso é bom podermos jogar novamente com uma mulher como em Syndicate, embora Aya prometesse muito mais. Espero que regresse noutro título ou, pelo menos, DLC.

Por outro lado, fica uma questão por responder que dará mil anos de oportunidades à Ubisoft: como se fez a transição dos Ocultos, a cujo nascimento assistimos neste jogo, para os Assassinos de Altair Ibn La'Had que conhecemos no primeiro Assassin's Creed durante a III Cruzada. Pela minha parte gostaria de ver um ou vários dos próximos jogos a contar a história dessa transição durante esse milénio. Lugares e épocas não faltam mas há um que seria espectacular e que tem toda a razão de ser: o Califado de Cordóva.

 

Ainda há 2 DLC para jogar (já estou a jogar o primeiro) mas Assassin's Creed Origins já ganhou o seu lugar entre os grandes títulos da série e para mim está ao nível de Assassin's Creed Revelations (ah, os telhados de Constantinopla...) logo atrás de Assassin's Creed IV Blackflag. E isso para mim é dizer muito: são os meus jogos preferidos.

 

 

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* - Claro que para vaguear a cavalo ao som de uma grande banda sonora há um jogo que ainda bate tudo e que, quando posso, ainda jogo na PS3 só para relaxar nas grandes planícies: Red Dead Redemption. Mas isso chama uma história que contarei noutra altura. 

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por Domingos Farinho às 21:01


4 comentários

De Daniel a 29.01.2018 às 23:13

Primeiro, tenho que dizer que concordo bastante com a opinião aqui apresentada, e acho este jogo um necessário refresco a uma franquia que estava às portas da morte. Mas há que apontar que o auto-nivelamento apenas trás os inimigos de nível inferior ao nosso para cima, deixando os de nível superior no seu nível natural. E no Brotherhood passamos por Roma, Constantinopla só aparece em Revelations, o jogo a seguir.
Obrigado.

De Domingos Farinho a 30.01.2018 às 11:13

Caro Daniel,

muito obrigado pelo comentário! Realmente quanto ao auto-level é para mim tão evidente que o nivelamento é dos mais fracos para o nosso nível que nem me expliquei bem. E quanto à troca do Brotherhood com o Revelations, imperdoável :)

Um abraço cordial

De twin_mummy a 26.07.2018 às 15:07

Quer o ACO quer o RDR são também para mim excelentes escolhas. Aguardo ansiosamente os próximos títulos de ambos (são duas das razões pelas quais devo ter que vender um rim este ano). Recentemente também me apaixonei pelo Witcher (fica também a dica para umas belas sequencias a cavalo). Mas aqueles a que volto sempre serão as séries do Elder Scrolls (nomeadamente Oblivion e Skyrim) e do Fallout (lá vai mais um pedacinho do rim para o novo Fallout 76). Bom ver escrever desta forma emocional e simples sobre jogos. Força nisso! ;)

De Domingos Farinho a 14.09.2018 às 12:16

Apesar de gostar na literatura e no cinema de mundos fantásticos nos jogos nunca fui grande fã. Consigo apreciar a beleza gráfica e até sentir o desafio mas o mais longe que fui nesses universos foi o Dark Souls, que aliás me preparo para comprar na versão remasterizada para a PS4.

O Wichter nunca joguei mas hei de experimentar até porque pelo que li parece ser interessante e vem uma série da Netflix a caminho. O Skyrim foi o único Elder Scrolls que experimentei. Achei-o ótimo esteticamente mas não fez o clic como faço com o AC. Aliás acabo de ver o conteúdo do Season Pass do Odyssey e até fiquei transtornado.

Bom haver interlocutores para estas incursões nos videojogos.

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Trabalhos publicados

- A Suspensão de Eficácia dos Actos Administrativos em Acção Popular


(in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Vol. XLII - N.º 2, 2001, Coimbra Editora);


- Em Terra de Ninguém - Da interrupção e suspensão de obras em terrenos expropriados - Ac. do STA de 24.10.2001, P.º 41624


(in Cadernos de Justiça Administrativa, n.º 49, Janeiro/Fevereiro, 2005, CEJUR - Centros de Estudos Jurídicos do Minho);


- As Regras do Recrutamento Parlamentar Partidário em Portugal


(in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Vol. XLVI - N.º 1, 2005, Coimbra Editora);


- Intimidade da Vida Privada e Media no Ciberespaço, Coimbra, Almedina, 2006


- Para além do Bem e do Mal: as Fundações Público-Privadas


(in Estudos em Homenagem ao Professor Marcello Caetano, no Centenário do seu nascimento, Vol. I,Coimbra Editora, 2006);


- Todos têm direito à liberdade de imprensa? - a propósito do caso Apple v. Doe no Tribunal de Apelo do Estado da Califórnia


(in Jurisprudência Constitucional, n.º 12, Outubro-Dezembro, 2006, Coimbra Editora);


- O Direito Fundamental de Fundação - Portugal entre a Alemanha e a Espanha


(in Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor Sérvulo Correia, Vol. I, Coimbra Editora, 2010);


- Alguns problemas de governo fundacional de uma perspectiva normativa-orgânica


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- As fundações como entidades adjudicantes


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- Brevíssimo balanço do regime jurídico das pessoas colectiva de utilidade pública: uma perspectiva fundacional


(in Estudos de Homenagem ao Prof. Doutor Jorge Miranda, Volume IV - Direito Administrativo e Justiça Administrativa, Coimbra, Coimbra Editora, 2012);


- Empresa e fundações: uma união mais forte?


(in Revista de Direito das Sociedades, Ano IV (2012), n.º 1, Coimbra, Almedina)


- Governo das Universidades Públicas (brevíssimo ensaio introdutório jurídico-normativo)


(in O Governo da Administração Pública, Coimbra, Almedina, 2013);


Breve comentário ao âmbito de aplicação do Código do Procedimento Administrativo, na versão resultante da proposta de revisão


(in Direito&Política / Law&Politics, n.º 4, Julho-Outubro, 2013, Loures, Diário de Bordo)


A propósito do recente Decreto-Lei n.º 138/2013, de 9 de Outubro: a escolha dos parceiros do Estado para prestações do Estado Social - em particular o caso das IPSS na área da saúde


(in e-pública - Revista Electrónica de Direito Público, n.º 1, Janeiro 2014);


O alargamento da jurisdição dos tribunais arbitrais

(in Gomes, Carla Amado; Neves, Ana Fernanda; e Serrão, Tiago, O anteprojecto da revisão do Código de Processo nos Tribunais Administrativos e do Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais em debate, Lisboa, AAFDL, 2014, p. 421 a 429)


- Fundações e Interesse Público , Coimbra, Almedina, 2014


O âmbito de aplicação do novo Código do Procedimento Administrativo: regressar a Ítaca

(in Gomes, Carla Amado; Neves, Ana Fernanda; e Serrão, Tiago, Comentários ao Novo Código do Procedimento Administrativo, Lisboa, AAFDL, 2015, p. 121 a 150)


Seleção de administradores designados pelo Estado em fundações privadas com participação pública

(in Vários, A designação de administradores, Lisboa, Almedina, 2015, p. 345 a 365)


Interesse público e poder judicial

in Repolês, Maria Fernanda Salcedo e, Dias, Mariz Tereza Fonseca (org.), O Direito entre a Esfera Pública e a Autonomia Privada, Volume 2, Belo Horizonte, Editora Fórum, 2015;


As vantagens da arbitragem no contexto dos meios de resolução de conflitos administrativos

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A sociedade comercial como empresa social - breve ensaio prospetivo a partir do direito positivo português

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Global (normative) public interest and legitimacy: A comment on Gabriel Bibeau-Picard

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(Un)Safe Harbour: Comentário à decisão do TJUE C-362/14 e suas consequências legais

in Forum de Proteção de Dados, n.º 02, Janeiro 2016, p. 108-124


Empresa Social, Investimento Social e Responsabilidade pelo Impacto

in Impulso Positivo, n.º 31, janeiro/fevereiro 2016, pp. 42-43


A arbitragem e a mediação nos títulos de impacto social: antecipar o futuro

in Arbitragem Administrativa, n.º 2, 2016, CAAD


Regras especiais de contratação pública: os serviços sociais e outros serviços específicos

in Maria João Estorninho e Ana Gouveia Martins (coord.), Atas da Conferência - A Revisão do Código dos Contratos Públicos, Lisboa, Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, pp. 81-98.


O tratamento de dados pessoais na prossecução do interessse público e o Regulamento Geral de Proteção de Dados: uma primeira abordagem

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As políticas públicas de resolução alternativa de litígios: da alternatividade rumo à seleção apropriada

in Rodrigues, Maria de Lurdes et al. (ed.), “40 anos de políticas de justiça em Portugal”, Coimbra, Almedina, 2017, pp. 331-368


Contratação Pública e Inovação: uma reflexão lusófona de uma perspetiva portuguesa

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Serviços sociais e outros serviços específicos: o Leopardo e o Ornitorrinco entre os três setores de atividade económica

in Gomes, Carla Amado; Serrão, Tiago; e Caldeira, Marco, "Comentários à Revisão do Código dos Contratos Públicos", Lisboa, AAFDL, 2017.


A responsabilidade do primeiro-ministro perante o presidente da República e a condição material do artigo 195.º/2 da Constituição da República Portuguesa: entre a exceção e a inconfessada política

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Governar melhor os serviços públicos: em defesa dos "departamentos transversais"

in Constituição e Governança - V Seminário Luso-Brasileiro de Direito, Mendes, Gilmar Ferreira; Morais, Carlos Blanco de; e Campos, César Cunha, Brasília, FGV Projetos, 2018.


"Os Centros de competências e estruturas partilhadas na Administração Pública portuguesa: uma primeira reflexão" in Gomes, Carla Amada; Neves, Ana Fernanda; e Serrão, Tiago (coord.), Organização Administrativa: Novos actores, novos modelos, Volume I, Lisboa, AAFDL, 2018, p. 693-712.


"As fundações públicas em Portugal" in Gomes, Carla Amada; Neves, Ana Fernanda; e Serrão, Tiago (coord.), Organização Administrativa: Novos actores, novos modelos, Volume II, Lisboa, AAFDL, 2018, p. 5-56.


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