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Vermelho

um blogue moral


Segunda-feira, 15.08.16

Ian McShane

É tempo de falarmos de Ian McShane.

 

Ian McShane, Ian McShane, por onde começar? O meu medo é que para muitos McShane seja apenas uma personagem secundária do Game of Thrones (que foi). E isso para mim é intolerável.

 

Talvez seja injusto dizer que a hora de Ian McShane ainda está para chegar. E talvez seja injusto porque Ian McShane, com uma carreira que começou aos 20 anos, em 1962, conta com várias participações interessantes quer no cinema, quer na televisão. 

É verdade que no cinema, apesar de alguns papéis principais nos primeiros anos, acabou por se assumir com um grande ator secundário. Por exemplo, aos 27 anos entrava em Battle of Britain (com Laurence Olivier, Christopher Plummer, Michael Caine, entre outros) no que era já um prenúncio do que seria a sua carreira no cinema: mais um genial ator de apoio do que um protagonista renomeado. Esta toada mantém-se até hoje, assegurando que encontremos McShane sempre como uma agradável surpresa, e incapaz de atuar mal, em alguns filmes de culto. Para além do já referido Battle of Britain, ainda apetece referir Sexy Beast já em 2000 (de Jonathan Glazer com Ben Kingley) ou John Wyck em 2014 (um discreto e enigmático, Winston)

Mas talvez seja na televisão que a tal injustiça da minha afirmação se revele mais. Afinal McShane é o protagonista de Loveyjoy, um clássico da televisão inglesa e americana dos finais dos anos 80 e princípios dos anos 90 e tem um dos papéis principais em Deadwood. E aqui, façamos uma pausa. Deadwood.

Talvez a injustiça da minha afirmação se revele aparente. Afinal a hora de Ian McShane talvez já tenha chegado para aqueles que apreciam boa televisão. É o caso de Deadwood. Apesar de McShane, desde Lovejoy até Deadwood (2004-2006) e mesmo depois, ter feito notáveis aparições televisivas (é o caso de Miami Vice, Perry Mason, Columbo, Ray Donovan e, finalmente, a já referida Game of Thrones), a verdade é que o seu melhor momento foi Deadwood. O seu Al Swearengen, ajudou a tornar Deadwood uma das melhores séries produzidas este século, uma espécie de West Wing do Oeste Selvagem, como o Rui Branco uma vez disse.

Esta sua prestação apenas bastaria para darmos o devido valor a um ator que continua a ser subestimado ou que talvez seja simplesmente um prazer partilhado por poucos. Na verdade a sua prestação em Deadwood é tão boa que agora que ela corre o risco de ser suplantada encontro-me a rever a série. E continua tão boa como da primeira vez que a vi.

Suplantada porque em 2017 teremos American Gods. E Ian McShane será Mr. Wednesday. É evidente que aqueles que nunca leram o romance de Neil Gaiman não percebem a beleza de tudo isto. E é claro que ajuda ser um fã de Gaiman e já ter lido o romance duas vezes (a segunda há alguns meses coincidentemente quando se soube que a Starz tinha decidido avançar com a adaptação televisiva), mas mesmo assim, o trailer já deve ajudar mesmo aqueles que não sabem o que os espera, quer no romance, quer na série. Por mim só posso dizer que talvez McShane tenha aqui uma oportunidade ainda melhor do que a de Deadwood para continuar a lutar contra a tal aparente injustiça. Mas já há pelo menos uma justiça que é feita. Depois do pobre Ray de Game of Thrones, nada melhor do que voltar como Mr. Wednesday (sim, vocês sabem do que eu estou a falar). Let's look at the trailer:

 

 

 American Gods chega em 2017. Parece uma eternidade. O que neste caso, faz todo o sentido.

(em estéreo com a noite americana)

 

 

 

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por Domingos Farinho às 23:36

Domingo, 24.04.16

20 anos de Nuno Costa Santos - períodos de sol e aguaceiros esparsos

(versão escrita da minha apresentação oral do primeiro romance de Nuno Costa Santos, na passada quarta-feira, 20, na Fnac Chiado)

 

Por regra sou contra conhecer a obra através do autor. É uma discussão que mantenho com um velho amigo desde os tempos de liceu. Uma daquelas discussões que se mantêm mais pelo prazer do exercício argumentativo do que pelo propósito de chegar a uma verdade que esteja escondida nos escolhos e nas falácias do conhecimento. Mas para o Nuno e o seu primeiro romance dou por mim a pensar se mordo o isco ou não. É que em Céu Nublado com Boas Abertas é o narrador que se anuncia autor, confundindo desde logo géneros e baralhando as (poucas) regras com que entramos na nossa suspensão da incredulidade.

 

De certo modo, ao escrever estas linhas, penso no romance do Nuno como um romance histórico, daqueles em que damos por nós a ir à internet confirmar se uma dada referência é verdadeira ou não. Como se estivéssemos obrigados, nesse tipo de romance, a sermos guardas de fronteira entre a fição e a realidade. Pois bem, também o romance do Nuno nos poderia fazer cair nessa tentação, mais forte para quem conheça o Nuno e tenha interesse na sua pessoa. Contudo, no seu romance, essa fronteira é prontamente esboroada com uma dupla intenção: a de poder contar a história do avó e a de ter um esteio para exercer a fição sem rede: quanto mais difícil for lembrar ao leitor que ele pode suspender a sua incredulidade, maior o desafio do autor, maior o seu nível de exigência.

 

Daí que, neste caso, neste especialíssimo caso, falar do romance do Nuno tenha que ser falar do Nuno e daí o título desta minha breve reflexão: 20 anos de Nuno Costa Santos - períodos de sol e aguaceiros esparsos.

 

Com os seus vinte e dois capítulos, e portanto a um capítulo de ser perfeito, o Céu Nublado com Boas Abertas entrou na minha vida numa noite de Snob. Eu creio que o Alexandre já tinha chegado - não tenho a certeza - e estávamos derramados pela mesa em torno de uns copos, quando o Nuno me falou do seu romance. Houve ali um momento de choque ao aperceber-me que seria o primeiro romance do Nuno. Quer dizer, para mim o Nuno sempre fora escritor e, por isso, em qualquer altura do Nuno um romance seria algo natural, mas eis que ali estava ele, o romance, na iminência de ser uma realidade, como um produto dos 40 e poucos anos. Uma boa idade para um primeiro romance. Tomei como nota mental comprá-lo quando saísse e estava longe de pensar que estaria aqui hoje a apresentá-lo. Suspeito que aqui estou porque o Nuno, não apenas melancómico, mas também um pouco nostálgico, acredita que a minha presença possa ajudar a colocar o seu romance entre as coisas que realmente importam: a memória, os amigos, o whisky e, enfim, a alma. Não sei exatamente quando foi, mas seguramente em 1996, que o Nuno por denúncia do João Taborda da Gama, incluiu-me num rol de entrevistados para uma peça do Lexpress - um jornal já extinto da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa - sobre alunos que escreviam. Foi o meu primeiro contato com o micaelense Nuno, mas não o mais saboroso que haveria de ter. Por causa desse conhecimento, o Nuno convidar-me-ia, dois anos volvidos para escrever para o primeiro número de uma saudosa revista literária também da Faculdade de Direito, a Inventio, de que ele foi diretor. Eu, que não sou de saudosismos, devo dizer que encontrei poucos objetos literários e artísticos como a Inventio, quer no design, quer nos conteúdos. A Inventio é, para além de tudo o mais, a prova de que uma dada geração num dado momento deixa sempre a sua marca. A nossa, diga isso o que disser de nós, foi (também, sobretudo) a Inventio e todos os seus magníficos números. Relembro aqui a Inventio porque, condicionado por conversas recentes com o Nuno, não consegui deixar de pensar nela enquanto lia o Céu Nublado com Boas Abertas. Tal como eu e o Nuno volta e meia regressamos às Inventios de há 20 anos para de lá partirmos ou prometermos partir para novas aventuras, numa espécie de tributo a nós mesmos ou aos nossos companheiros, também o narrador do romance do Nuno ora regressa à vida do seu avô ora avança, nem sempre completamente em controlo, pela sua própria vida. Eco escreveu, em Seis Passeios pelos Bosques da Ficção que o truque para escrever um bom romance é começar sempre por escrever um policial e depois ir colocando outras histórias por cima. Mesmo que o leitor não goste delas, ninguém escapa a um policial. O Nuno não se contentou com apenas um policial: oferece-nos dois. Um passado no Caramulo e outro presente nos Açores. Ou, melhor dizendo, em São Miguel. Os Açores têm essa característica interessante: para os que nunca lá foram e não o conhecem os Açores são unidade. Apesar de 9 ilhas, são 1 arquipélago, tomamos o todo pelas partes e quando o fazemos mais normal ainda é que o façamos pela ilha maior, pela ilha capital. Ao romance do Nuno esta unidade assenta perfeitamente, porque o narrador não está a escrever para conhecedores dos Açores e por isso calha bem que ao escrever sobre a sua São Miguel possamos tomá-la por todo um arquipélago. São Miguel como metonímia é, apesar de tudo, o que aqui quero não deixar passar em claro. Por um lado porque é injusto para os Açores e por outro porque é injusto para São Miguel. Este é um romance sobre São Miguel. As outras ilhas merecem também a nossa atenção, mas não vão neste romance a não ser na medida, enganosa, da metonímia. E São Miguel, neste romance, é para ser bebida sozinha, com benefício de toda a geografia e toponímia que o Nuno decanta sobre o leitor. Assim temos dois policiais: um no Caramulo, com a cabeça em São Miguel e outro em São Miguel por causa do Caramulo. Mas o Nuno não parou aqui de seguir o conselho de Eco e as camadas que escolheu para colocar por cima dos policiais são a gota de água mineral que parece neutra na garrafa mas liberta propriedades extraordinárias quando se mistura com o whisky. Tal como um tom mais melancólico percorre o Caramulo e um tom mais cómico percorre São Miguel, mesmo que isso, por vezes, seja um jogo de espelhos, também o narrador se diverte a confundir-nos com referências literárias e eruditas entremeadas por referências quotidianas suaves. Tão depressa estamos em Cortázar, Céline, Joyce ou Kafka como nas regras de judo, em referências ao Código de Registo Predial ou ao Medomim. E há mesmo, o que deleitaria Eco, as referências quase pessoais que todo o autor dificilmente resiste a deixar na sua obra como uma espécie de marca d’água. Acredito que a referência ao S.U.C.K. seja isso mesmo, entre outras.

 

Mas não são apenas dois policiais sobrepostos e um caleidoscópio de referências literárias e culturais que animam este primeiro romance. Outro jogo de contrastes diz respeito à forma. Há uma alternância muito interessante entre o diálogo e a terceira pessoa reflexiva, que traz um ritmo muito interessante ao romance. Depois há a própria língua, o léxico: este é um romance que utiliza a palavra “borbotos” (pág. 168) e mais não digo.

 

E, claro, há ruivas. Qualquer objeto que se pretenda animado de vida tem que ter uma ruiva na sua existência. Aliás, pode mesmo dizer-se que somos todos objetos enquanto não houver uma ruiva nas nossas vida, animando-nos. No romance há duas: a Ruiva do Pica e Aja Warren. O Nuno não brincou em serviço.

 

Nestes 20 anos de amizade, vi-o escrever de tudo: aforismos, textos humorísticos, críticas de teatro, mas o romance esteve sempre lá, à espera, à espreita. Já estava lá na Inventio, por certo, já estava lá nos pesadelos provocados pelo condomínio, já estava lá na Transe Atlântico. Lê-lo no Céu Nublado com Boas Abertas é ler a compilação de tudo isto. E de muito mais que o leitor descobrirá.

 

Uma confissão final: o nome que arranjei para os meus 20 anos de amizade com o Nuno é uma tradução minha de Sunny spells and scattered showers. Os tais períodos de sol e aguaceiros esparsos são também o nome daquele que é provavelmente o meu álbum preferido de música tradicional irlandesa, da banda norte-americana Solas. Solas, que é gaélico para luz, pode bem ser a palavra-chave do romance do Nuno. A luz, ao contrário do que pode parecer, também é algo que existe em camadas, também é algo que vive de contrastes. Este é um romance de luz.

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por Domingos Farinho às 23:26

Quinta-feira, 28.01.16

Atualização de obras publicadas

(Un)Safe Harbour: Comentário à decisão do TJUE C-362/14 e suas consequências legais in Forum de Proteção de Dados, n.º 02, Janeiro 2016, p. 108-124

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por Domingos Farinho às 15:32

Terça-feira, 15.12.15

Atualização de obras publicadas

Interesse público e poder judicial

in Repolês, Maria Fernanda Salcedo e, Dias, Mariz Tereza Fonseca (org.), O Direito entre a Esfera Pública e a Autonomia Privada, Volume 2, Belo Horizonte, Editora Fórum, 2015.

 

As vantagens da arbitragem no contexto dos meios de resolução de conflitos administrativos

in Gomes, Carla Amado / Farinho, Domingos Soares/ Pedro, Ricardo (coord.) Arbitragem e Direito Público, Lisboa, AAFDL Editora, 2015, p. 485 a 502.

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por Domingos Farinho às 18:12

Segunda-feira, 07.12.15

Kieslowski no Nimas

Quanto ao meu realizador preferido não tenho dúvidas: Kieslowski. É verdade que perto vêm Theo Angelopoulos, Wong-Kar Wai, Terrence Malick, Ridley Scott. Mas Kieslowski foi amor à primeira vista: primeiro, a Dupla Vida de Verónica, depois Vermelho. Tudo o resto confirmou o que estes dois filmes criaram entre mim e o realizador polaco. Sobretudo, o Dekalog 1, o resto da trilogia das cores, mas também Não matarás, por exemplo.
 
Durante anos o meu filme preferido foi Belle de Jour. Durante muitos anos, quase 20. Digo quase pois não sei bem quando Belle de Jour se tornou o meu filme preferido (mas de certeza algures ainda na adolescência quando o vi por acaso na rtp num dia de semana à tarde) nem quando deixou de o ser.  Sei apenas que foi há pouco tempo, quando ao cabo de quase uma década, numa revisão, me apercebi que Vermelho tinha ocupado esse lugar. E porquê? Porquê Vermelho, porquê Kieslowski? Talvez porque ao surrealismo de Buñuel, que muito continuo a apreciar, tenha passado a preferir o onirismo refinado e intelectual de Kieslowski. E utilizo aqui a palavra intelectual no seu sentido mais elementar, uma vez que Kieslowski produz um cinema paradoxal que combina o sonho com o cerebral. O cinema de Kieslowski é crítica, mas sabe que essa crítica pode ter que ser dirigida para coisas que a razão pode não compreender, pelo menos não completamente. Um bom exemplo disso é o magnífico Dekalog 1, que Paulo Branco nos permite rever no Nimas durante este mês de dezembro, integrado num ciclo dedicado a Kieslowski em que passará toda a trilogia das cores bem como o magnífico A Dupla Vida de Verónica. Se por mais nada, o ciclo é uma boa oportunidade para vermos em dose duple Irene Jacob, mas também para regressarmos às cadeiras do Nimas e aos anos 80 e 90, em torno de um dos maiores realizadores de sempre, que mesmo com uma obra curta conseguiu fazer através do cinema algo grandioso.
 
Para mim será uma hipótese para me reencontrar com o meu realizador preferido, que sempre posso rever em casa, mas nunca com a experiência de uma sala de cinema, muito menos do velho Nimas. E um reencontro emocionado também com Vermelho, com a Suíça, com Trintignant, com Jacob, com um jurista estudante para juiz, com uma salvífica traição, com o acaso, com a magnífica banda sonora, e com a Fraternidade, simbolizada pela cor vermelha. Dos três valores da Revolução, aquele que mais falta cumprir.
 

(Dekalog 1 - Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás outro Deus além de Mim)

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por Domingos Farinho às 18:25

Quinta-feira, 26.11.15

Duas pastas, um Ministério: bom sinal

Uma novidade interessante da estrutura do XXI Governo Constitucional, o Governo de António Costa, com o apoio parlamentar do PS, PCP, BE e PEV, é a existência de uma Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa. Maria Manuel Leitão Marques concentra num ministério duas áreas que fazem sentido juntas. Já aqui escrevi sobre a importância de contrariar a tradição oitocentista dos ministérios verticais, através de ministério horizontais. Essa batalha tem que começar por algum lado e só pode ser pela criação de ministério com atribuições transversais, entregues a pessoas da máxima confiança do Primeiro-Ministro.

 

aqui escrevi algumas vezes sobre este tema e estrutura do novo Governo parece dar alguns passos no sentido certo:

 

a) com a existência de um Ministro-Adjunto e de uma Secretária de Estado-Adjunta do Primeiro-Ministro, a que previsivelmente ficará entregue o planeamento e a coordenação política de curto e médio prazo do Governo; e

 

b) com a Secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministro a ser tradicionalmente a responsável pelo bom funcionamento do processo legislativo governamental e áreas conexas,

 

a concentração da Presidência do Conselho de Ministros e da Modernização Administrativa indicia uma convergência neste ministério e através destas duas pastas, de política públicas dirigidas a uma verdadeira recompreensão das funções do Estado e do modo se presta serviço público. Sobretudo, creio que será importante olhar para este Ministério e para Maria Manuel Leitão Marques (e para a Secretária de Estado da Modernização, Graça Fonseca) como um polo a partir do qual se dará maior eficácia à Administração Pública, experimentando em Portugal novas formas de melhorar os serviços públicos. E o que é (deve ser!) novo nesta abordagem é combinar essa vontade de modernização com uma estratégia para as estruturas e os modelos de governo dessas estruturas, algo que parece ser sempre esquecido. 

 

Para termos bons serviços públicos temos que ter boa organização administrativa. Com este Ministério e estas governantes é quase certo que essa combinação virtuosa se produzirá.

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por Domingos Farinho às 11:44

Quarta-feira, 18.11.15

Franciade

Durante sete anos Saint-Denis, hoje famosa pela intervenção policial em busca de terroristas, mas históricamente conhecida como cemitério de reis, uma vez que praticamente todos os reis franceses estão aí enterrados, chamou-se Franciade. Foi logo a seguir à Revolução, no auge do movimento anticlerical.

 

A importância de Saint-Denis/Franciade advém da preferência que os reis franceses mostraram por ela, na sequência de aí ter sido enterrado o primeiro bispo de Paris, Denis, depois considerado mártir da Igreja Católica. Mas tudo isto podem ler na wikipedia ou em qualquer enciclopédia tradicional. 

 

O que é curioso é que o penúltimo capítulo da saga Assassin's Creed, o Unity, passado em plena revolução francesa, oferece um DLC intitulado Dead Kings, que é justamente passado em Saint-Denis/Franciade.

Uma vez que a preocupação da Ubisoft com a reprodução o mais fiel possível de edifícios históricos é reconhecida, este DLC permite passear por Franciade num ambiente de grande credulidade histórica (o vídeo está em inglês, mas eu tenho jogado todo o Unity e este DLC em francês, o que ainda acresce à imersão histórica). 

 

Há qualquer coisa de simultaneamente perturbador e frustrante em ver que, mesmo com toda a ficção associada,  Saint-Denis/Franciade (como a França, como a Europa...) têm ciclicamente que enfrentar a violência.

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por Domingos Farinho às 12:27

Domingo, 01.11.15

8 meses, 8 artistas, 9 agradecimentos - Outubro - Álvaro Áspera e um balanço

(sim, já estamos em Novembro)

 

Evidentemente que há muita gente a quem devo agradecer muito o facto de Sete Histórias em Busca de uma Alternativa ter visto a luz do dia, para além dos próprios artistas. Toda a equipa do GRAL que se empenhou muitíssimo, com a liderança da Dra. Helena Alves. Na sugestão do modelo utilizado, que é hoje para mim tão óbvio que nem sei como poderia ser de outro modo, devo tudo ao Nelson Dona, que, confrontado com as minhas ideias e com as limitações financeiras do GRAL, sugeriu irmos em busca de jovens artistas. E a Mumtaz Sadruddin, a querida Mumy, que tanto ajudou com a sua experiência no munda da mediação. Todos eles, e todos os que não nomeio têm o meu agradecimento.

Mas o meu último texto de agradecimento vai para o Álvaro Áspera, com um pouco de egoísmo à mistura, que peço que me perdoem. Não é uma simples preferência, daquelas que se podem atacar com uma simples invocação do princípio da igualdade e uma acusação de deselegância. Todos os artistas que emprestaram o seu traço às história do álbum promovido pelo GRAL fascinaram-me à sua maneira, desde logo porque o desenho é algo para que olho sempre de fora, com admiração. É, aliás, uma das razões que me faz gostar tanto de banda desenhada, essa possibilidade de conviver com uma arte que parcialmente me surge sempre estranha. Digo parcialmente porque depois há a escrita. E eu partilho desse mundo da escrita, com as minhas caraterísticas e limitações. E por isso senti talvez uma empatia especial com o Álvaro, de quem fiquei amigo. O seu trabalho como argumentista das várias histórias do álbum é excelente. Tanto na compreensão dos meios de resolução alternativa de litígios que era preciso retratar, como nos tributos aos autores portugueses, cuja obra era preciso conhecer a fundo para fazer uma homenagem que não fosse, ora superficial, ora bacoca. Creio que o Álvaro conseguiu estes objetivos e os seus argumentos revelam universos muito interessantes, mesmo se conformados pelos meios RAL e pelos tributos escolhidos. É ele que permite que possamos dizer que temos um verdadeiro álbum de banda desenhada, não obstante 8 artistas distintos, com 8 história diferentes. Daí este meu agradecimento especial.

 

Anteontem, dia 30 de Outubro de 2015 passaram exatamente 5 anos sobre o dia em que, no Amadora BD 2010, foi lançado o álbum Sete Histórias em Busca de uma Alternativa. Foi um dos meus projetos profissionais mais divertidos, mas também aquele em que senti que, na Administração Pública (especialmente na Justiça), estávamos a inovar comunicacionalmente, o que é tão necessário. Com um custo relativamente baixo conseguimos um produto de grande qualidade e que visa os objetivos pretendidos: divulgar os meios de Resolução Alternativa de Litígios disponíveis no sistema de justiça português. Gostava que tivéssemos tido meios para divulgar o álbum massivamente, mas isso não foi possível. Acredito, contudo, que está para ele reservado um lugar de culto na banda desenhada portuguesa e que, à sua medida e dentro dos recursos disponíveis, cumpriu o seu papel. Aliás, ele está aí, pelas bibliotecas e instituições diversas ligadas à resolução alternativa de litígios. Nesta medida, continua e poderá continuar a cumprir o seu desígnio. Também por isso a banda desenhada e o talento daqueles que neste álbum participaram, nos pareceu uma boa aposta. 

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por Domingos Farinho às 12:16

Domingo, 01.11.15

8 meses, 8 artistas, 8 agradecimentos - Setembro - Ricardo Cabrita

(sim, já estamos em Novembro)

 

Quisemos ter uma última história no álbum que tentasse refletir todo o universo Resolução Alternativa de Litígios que compunha as atribuições do extinto Gabinete para a Resolução Alternativa de Litígios do Ministério da Justiça. Assim surgiu última história do Álvaro Áspera, com traço de Ricardo Cabrita. Os autores e personagens homenageados são, respetivamente, José Carlos Fernandes e Fernando Relvas com o Barão Wrangel e o Espião Acácio. A história chama-se O Caso Inacreditável da Rocambolesca Conspiração para Revelar ao Mundo os Mistérios da Mediação e dos Julgados de Paz.

Gosto muito da técnica utilizada por Ricardo Cabrita nesta história e cada vez que a releio-me sinto-me no Crime no Expresso do Oriente. Não sei como cada leitor reagirá a esta história, mas é uma das que mais me faz querer fazer parte do mundo da resolução da alternativa de litígios e explorar as suas possibilidades como solucionar conflitos. 

 

Ricardo Cabrita.jpg

 

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por Domingos Farinho às 11:55

Domingo, 01.11.15

8 meses, 8 artistas, 8 agradecimentos - Agosto - João Martins

(sim, já estamos em Novembro)

 

A penúltima história tem como título O Caso das Inacreditáveis Coincidências ocorridas às Treze e Treze de um Dia Treze e dum Telefonema Desesperado a meio da Noite é um tributo a José Carlos Fernandes e à obra A Pior Banda do Mundo. O meio de resolução alternativa de litígios promovida são os Centros de Arbitragem Institucionalizada apoiados pelo Ministério da Justiça. O argumento volta a ser de Álvaro Áspera e o desenho é de João Martins. 

Há muita coisa boa a dizer desta história. Em primeiro lugar, o artista e a série que evoca. Sou um fã de José Carlos Fernandes que é hoje, provavelmente, o meu desenhador português de bd preferido. A sua Pior Banda do Mundo é das coisas mais espectaculares que já li em qualquer língua e deprime-me que ele e ela (A Banda) não sejam conhecidas e apreciadas mundialmente. Por favor, leiam-no, leiam-na. Depois, o traço do João Martins, que tanto gostei de conhecer. Casa perfeitamente com o estilo de José Carlos Fernandes sem perder qualquer individualidade. Este é o autor da adaptação de "Poema de um Funcionário Cansado" de António Ramos Rosa. Um artista fabuloso para um poeta fabuloso. Foi por isso muito bom poder contar com ele. O Álvaro Áspera, como sempre esteve muito bem e esta é uma das histórias mais divertidas do álbum. Podem ver uma prancha da história já aqui em baixo

 

João Martins.jpg

 

 

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por Domingos Farinho às 11:40


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Trabalhos publicados

- A Suspensão de Eficácia dos Actos Administrativos em Acção Popular


(in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Vol. XLII - N.º 2, 2001, Coimbra Editora);


- Em Terra de Ninguém - Da interrupção e suspensão de obras em terrenos expropriados - Ac. do STA de 24.10.2001, P.º 41624


(in Cadernos de Justiça Administrativa, n.º 49, Janeiro/Fevereiro, 2005, CEJUR - Centros de Estudos Jurídicos do Minho);


- As Regras do Recrutamento Parlamentar Partidário em Portugal


(in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Vol. XLVI - N.º 1, 2005, Coimbra Editora);


- Intimidade da Vida Privada e Media no Ciberespaço, Coimbra, Almedina, 2006


- Para além do Bem e do Mal: as Fundações Público-Privadas


(in Estudos em Homenagem ao Professor Marcello Caetano, no Centenário do seu nascimento, Vol. I,Coimbra Editora, 2006);


- Todos têm direito à liberdade de imprensa? - a propósito do caso Apple v. Doe no Tribunal de Apelo do Estado da Califórnia


(in Jurisprudência Constitucional, n.º 12, Outubro-Dezembro, 2006, Coimbra Editora);


- O Direito Fundamental de Fundação - Portugal entre a Alemanha e a Espanha


(in Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor Sérvulo Correia, Vol. I, Coimbra Editora, 2010);


- Alguns problemas de governo fundacional de uma perspectiva normativa-orgânica


(in O Governo das Organizações - A vocação universal do corporate governance, Coimbra, Almedina, 2011);


- Brevíssimo balanço do regime jurídico das pessoas colectiva de utilidade pública: uma perspectiva fundacional


(in Estudos de Homenagem ao Prof. Doutor Jorge Miranda, Volume IV - Direito Administrativo e Justiça Administrativa, Coimbra, Coimbra Editora, 2012);


- Empresa e fundações: uma união mais forte?


(in Revista de Direito das Sociedades, Ano IV (2012), n.º 1, Coimbra, Almedina)


- Governo das Universidades Públicas (brevíssimo ensaio introdutório jurídico-normativo)


(in O Governo da Administração Pública, Coimbra, Almedina, 2013);


Breve comentário ao âmbito de aplicação do Código do Procedimento Administrativo, na versão resultante da proposta de revisão


(in Direito&Política / Law&Politics, n.º 4, Julho-Outubro, 2013, Loures, Diário de Bordo)


A propósito do recente Decreto-Lei n.º 138/2013, de 9 de Outubro: a escolha dos parceiros do Estado para prestações do Estado Social - em particular o caso das IPSS na área da saúde


(in e-pública - Revista Electrónica de Direito Público, n.º 1, Janeiro 2014);


O alargamento da jurisdição dos tribunais arbitrais

(in Gomes, Carla Amado; Neves, Ana Fernanda; e Serrão, Tiago, O anteprojecto da revisão do Código de Processo nos Tribunais Administrativos e do Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais em debate, Lisboa, AAFDL, 2014, p. 421 a 429)


O âmbito de aplicação do novo Código do Procedimento Administrativo: regressar a Ítaca

(in Gomes, Carla Amado; Neves, Ana Fernanda; e Serrão, Tiago, Comentários ao Novo Código do Procedimento Administrativo, Lisboa, AAFDL, 2015, p. 121 a 150)


Seleção de administradores designados pelo Estado em fundações privadas com participação pública

(in Vários, A designação de administradores, Lisboa, Almedina, 2015, p. 345 a 365)


Interesse público e poder judicial

in Repolês, Maria Fernanda Salcedo e, Dias, Mariz Tereza Fonseca (org.), O Direito entre a Esfera Pública e a Autonomia Privada, Volume 2, Belo Horizonte, Editora Fórum, 2015;


As vantagens da arbitragem no contexto dos meios de resolução de conflitos administrativos

in Gomes, Carla Amado / Farinho, Domingos Soares/ Pedro, Ricardo (coord.) Arbitragem e Direito Público, Lisboa, AAFDL Editora, 2015, p. 485 a 502


(Un)Safe Harbour: Comentário à decisão do TJUE C-362/14 e suas consequências legais

in Forum de Proteção de Dados, n.º 02, Janeiro 2016, p. 108-124





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Agradecimento

O fotograma que serve de fundo a este blog foi retirado do filme "Rouge", de Krzysztof Kieslowski, de 1994.


Ao Pedro Neves, da equipa dos Blogs Sapo, um agradecimento especial pela sua disponibilidade e ajuda.